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Pomar de pêssego vira ‘plantação de cristal’ em SC; veja vídeos

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Santa Catarina vive os dias mais frios dos últimos 66 anos e registrou neve em 23 municípios; pomar congelou em Fraiburgo, no Meio-Oeste

Um pomar de pêssegos amanheceu congelado na manhã desta quinta-feira (29) na cidade de Fraiburgo, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A imagem chamou a atenção, principalmente pelo fato do gelo nos galhos das árvores se assemelhar com cristais.

A neve marcou presença na cidade que registrou, segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, – 3,1°C entre a noite de quarta e a madrugada de quinta-feira. O Estado vive o frio mais intenso dos últimos 66 anos com recorde de temperaturas negativas e neve em mais de 20 municípios.

A cena foi registrada na propriedade do fruticultor Jonny Clay Hepp, na linha Dez de Novembro, interior de Fraiburgo. A produção de pêssegos e nectarinas está na família há cerca de quatro décadas e começou ainda com o pai de Jonny.

Apesar de curiosa, a cena é comum em períodos de inverno na propriedade de Hepp. Ele explica que se trata de um sistema de irrigação que garante que os pomares não sejam queimados e danificados pelo frio.

“Há cerca de 12 anos utilizamos esse sistema que consiste em irrigar os pomares. Quando a temperatura chega a 0°C essa água congela e se transforma em uma proteção evitando que as flores e os frutos sejam destruídos”.

Segundo o fruticultor, em dias de frio intenso a irrigação chega a ficar funcionando por 14 horas seguidas. São utilizadas de 40 a 50 mil litros de água por hora em cada hectare. Conforme as temperaturas vão aumentando, o gelo derrete e mantém o pomar livre de estragos.

“Não pode parar de molhar, se não corre o risco de estragar a plantação. Somente se a temperatura baixar de 0°C o pomar é danificado, por isso, o gelo cria uma camada de proteção que impede a exposição às temperaturas negativas”, acrescenta.

Mais de 40 toneladas

Hepp conta com 30 hectares de pomares de pêssego e nectarina e soma aproximadamente 40 mil plantas na propriedade. Porém, apenas 10 hectares e 12 mil plantas possuem esse sistema de irrigação.

“São pomares que estão em áreas de baixada e possuem variedades de pêssego mais precoce, as quais sofrem mais perdas se expostas às baixas temperaturas”, salienta.

O fruticultor chega a colher na safra anual, quando não sofre nenhum tipo de perda, uma média de 40 toneladas por hectare. As frutas são comercializadas para todo o Brasil.

Entenda sobre o funcionamento do sistema

O engenheiro agrônomo e coordenador de fruticultura da Epagri, Sérgio Neris da Veiga, explica que o sistema de irrigação é eficaz e recomendado aos fruticultores de frutas com caroços, como pêssego, ameixa e nectarina e, também, para as maçãs, principalmente as precoces.

“A flor e o fruto de pêssego são sensíveis, mas quando a temperatura está em 0°C elas não morrem. Por isso, o sistema de irrigação joga a água e ela congela criando assim um isolante térmico mantendo a temperatura em 0°C”, pontua.

Veiga ressalta que o segredo é manter os pomares irrigados enquanto as temperaturas estiverem negativas. “O sistema deve ser ligado antes de chegar a 0°C para não correr o risco de congelar a água dentro dos canos e não funcionar o sistema. Só pode ser desligado quando a temperatura estiver positiva”.

Investimento

De acordo com o engenheiro agrônomo, o investimento médio é relativo e depende da área da propriedade, a distância do reservatório até o pomar, o tamanho da bomba e a quantidade de canos que serão utilizados. Veiga observa que é indicado que o fruticultor tenha um reservatório de água para garantir no mínimo de 3 a 4 dias de irrigação.

“O fruticultor investirá, em média, entre R$ 25 a 50 mil por hectare. O investimento vale uma vez que se o pomar queimar com o frio as perdas são muito maiores e podem ser de 100% da plantação”, esclarece.

Outros sistemas

O engenheiro agrônomo e gerente regional da Epagri em São Joaquim, Marlon Francisco Couto, acrescenta que existem outros tipos de sistemas de controle de geadas, porém, o mais eficiente é o de irrigação.

Ele cita como exemplo alternativo a queima de serragem. “O fruticultor faz fogo dentro de latões com lenha e serragem e coloca no meio do pomar, mas não é o mais eficiente em temperaturas muito negativas. Porém, para alguns fruticultores ou em pomares menores é a forma utilizada”, cita Couto.

Além disso, existem sistemas paliativos como a cobertura das plantações, mas dependendo da temperatura acabam não tendo o resultado esperado. Uma nova tecnologia está chegando ao mercado, mas ainda está em fase de experimentação.

Se trata de um sistema de ventilação em que são instalados ventiladores nos pomares a cerca de 15 metros de altura. Esses ventiladores pegam o ar mais quente de cima e jogam para os pomares aumentando assim a temperatura.

 

Fonte(s): ndmais

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